O condensador evaporativo como eixo invisível da eficiência energética e hídrica

O condensador evaporativo como eixo invisível da eficiência energética e hídrica

Quando se observa uma sala de máquinas, é natural que os olhos se voltem imediatamente aos compressores. Afinal, são eles os grandes protagonistas do consumo elétrico de uma planta industrial. No entanto, existe um equipamento operando nos bastidores que determina silenciosamente o esforço exato que esse compressor precisará realizar: o condensador evaporativo.

Em sistemas de refrigeração industrial por amônia, o papel do condensador vai muito além de influenciar apenas o consumo específico de energia elétrica (o famoso kW/TR). Na realidade, ele também é o grande responsável por ditar o consumo de água de reposição, a carga química de tratamento e os custos operacionais associados à captação e ao descarte de efluentes.

Essa dualidade cria um desafio técnico interessante. Reduzir a pressão de descarga, por exemplo, economiza energia; porém, aumentar demasiadamente a vazão de ar e de água para atingir esse objetivo pode elevar o consumo hídrico. 

Sendo assim, a pergunta que o gestor deve fazer deixa de ser apenas "quanto estou gastando de energia?" e passa a ser uma equação mais ampla: qual é o custo combinado de energia, água e tratamento químico por tonelada de refrigeração produzida?

Cada região climática impõe o seu limite

Para responder a essa pergunta, é preciso entender que o desempenho do condensador evaporativo depende diretamente da temperatura de bulbo úmido do ar externo.

Em regiões com grande variação sazonal, existe um número significativo de horas anuais com bulbo úmido reduzido. Esse cenário cria uma excelente margem para operar com a chamada pressão de condensação flutuante, reduzindo o consumo elétrico nos períodos mais frios. Por outro lado, em regiões quentes e úmidas o ano todo, o bulbo úmido constantemente elevado reduz essa margem, forçando o equipamento a operar próximo ao seu limite térmico na maior parte do tempo. Portanto, qualquer estratégia de otimização deve, obrigatoriamente, respeitar a distribuição horária real do clima local e o perfil de carga da planta.

Diagnosticar não é apenas medir a pressão de descarga

Diante dessa complexidade, avaliar o real desempenho do condensador exige um olhar simultâneo para os recursos. Para um diagnóstico consistente, as variáveis mínimas a serem monitoradas incluem:

  • A pressão de descarga (ou temperatura de condensação equivalente);
  • A temperatura de bulbo úmido do ar de entrada;
  • A potência elétrica total (compressores, ventiladores e bombas);
  • O consumo de água de reposição;
  • A condição do tratamento químico e das purgas.

A partir do cruzamento desses dados, dois indicadores tornam-se o coração da gestão. O primeiro é o kW/TR, que representa o consumo específico de energia elétrica do sistema. Quanto menor, melhor. O segundo é o m³/TR, que revela o consumo específico de água por tonelada de refrigeração produzida, evidenciando o custo hídrico associado. A verdadeira otimização do sistema acontece justamente no ponto de equilíbrio entre esses dois indicadores.

A degradação não aparece apenas na conta de energia

Essa busca pelo equilíbrio costuma esbarrar em um problema silencioso. Fatores como incrustação, formação de biofilme e má distribuição de água reduzem drasticamente a efetividade térmica da serpentina.

Na prática, os sinais dessa perda de eficiência começam a surgir em cascata: observa-se o aumento do approach (a diferença entre a temperatura de condensação e o bulbo úmido), a elevação da pressão de descarga, o crescimento do kW/TR e o aumento da taxa de evaporação de água. Em resumo, um condensador degradado não consome apenas mais energia; ele desperdiça muito mais água. A solução para não chegar a esse ponto crítico é sair da manutenção reativa e adotar uma linha de base.

A adoção de modelos matemáticos simples permite avaliar o desvio de desempenho do equipamento, como nestes exemplos de referências:

Approach = f(Tbu, Carga Térmica)

Eficiência = f(kW/TR, m3/TR)

Esse acompanhamento permite que a equipe abandone a prática de intervir apenas quando o compressor desarma por alta pressão. E o mais interessante: essa evolução pode ser feita em etapas, começando com anotações de prancheta e planilhas, evoluindo progressivamente até chegar à automação por inversores de frequência.

Controlar vai além de ligar e desligar

Quando falamos da operação em si, é fundamental quebrar o paradigma dos setpoints fixos. Manter uma pressão de condensação travada durante o ano todo ignora por completo a variabilidade climática.

À medida que a planta ganha maturidade em automação, o controle por pressão flutuante torna-se o caminho natural. Esse método ajusta o setpoint dinamicamente em função da temperatura do ar, da carga da planta e dos limites das válvulas, diminuindo o trabalho de compressão. Além disso, essa gestão inteligente pode ser integrada à estratégia de controle de demanda elétrica da fábrica, utilizando a inércia térmica das câmaras frias para poupar os compressores nos horários de ponta (tarifas mais caras).

Os indicadores que revelam a verdade

Para tangibilizar o monitoramento, os gestores devem acompanhar o comportamento prático do condensador através desta matriz:

Indicador

Variável

Impacto Principal na Planta

Approach

K

Efetividade térmica do trocador

kW/TR

kW/TR

Eficiência energética global

m³/TR

m³/TR

Consumo hídrico e custo com efluentes

Pressão de descarga

bar

Esforço e trabalho do compressor

Potência (Ventiladores/Bombas)

kW

Consumo exclusivo do conjunto condensador

Desvio da linha de base

%

Indício claro de degradação e sujeira

 

Em última análise, o condensador evaporativo prova não ser apenas um simples elemento de troca térmica. Ele determina a pressão de descarga, baliza o consumo de energia, dita o desperdício ou a economia de água e define a estabilidade operacional de todo o parque.

Sendo assim, a reflexão final é inevitável: se a pressão de condensação influencia absolutamente tudo na sua planta, por que o condensador ainda é tratado apenas como um trocador de calor esquecido no telhado?

 

 

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